quarta-feira, 27 de novembro de 2013

PEITO VAZIO

Um aperto em meu peito, será você indo embora? Eu espero que sim.
Por que ser como sou? Por que não ser você?
Pensando bem sempre fui outrem. Me preocupando demais com o amor e o sofrimento de outras pessoas, acabei por me esquecer, e assim, fui tentando me encontrar nas histórias alheias, fui tentando me esconder e me apropriar de ilusões, fazendo estas se tornarem minha própria realidade. Mas hoje percebo o quão tola fui, em quão fraca e inútil me tornei.

Por isso hoje esvazio meu peito na esperança de enchê-lo com sentimentos, memórias e até mesmo ilusões que sejam somente minhas. Hoje é o começo do eu. Perdão se minha atitude demonstra egoísmo e até um certo individualismo, mas acredito que o completo altruísmo do ser não traria, como não trouxe para mim, tamanhos benefícios. A única coisa que defendo com essas palavras é a apropriação do eu pela própria pessoa.

Acredito que devemos, sim, nos preocupar com os demais, mas nunca esquecendo da igualdade de tratamentos, nunca elevando o próximo e rebaixando a si mesmo. Esse foi meu erro, espero nunca mais comete-lo. Espero agora que meu peito vazio seja mais eu do que foi você.

domingo, 24 de novembro de 2013

DU(E)ALIDADE

Jane Austen que me perdoe, mas em momento algum as representações da razão e da sensibilidade poderiam serem postas como personalidades diferentes. A complementariedade entre tais características é o que define o equilíbrio do ser. Ninguém é sempre uma e nunca outra. Os momentos com que nos deparamos é que definem a superioridade e a escolha que se sobrepõe a uma dessas. Por isso, hoje, por você, me faço razão, amanhã, talvez, sensibilidade. E, definitivamente, nunca mais me farei novamente sua.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A DAMA DE FERRO

Pensei seriamente antes de escrever essas palavras. Sim, sei que estas poderão ser apagadas. O problema é que nunca serão esquecidas. Pensar em você me dói, me faz questionar como poderia eu me apaixonar. Justo eu que prometi a mim mesma abrir mão desse sentimento, transformá-lo sempre em algo maior e transcendental para que nunca mais me machucasse, para que nunca sentisse novamente.

Aderi à razão, fiz um pacto. Como pode agora vir você me assombrar e me transmutar? Agora que irás embora, me sobram apenas mentiras e ilusões, imagens e olhares ambíguos. Pois vá, me deixe com meu pacto quebrado e com minhas promessas vazias. Irei fazer como sempre: me reerguerei  novamente. Farei de mim uma nova Margaret Thatcher.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

À SOMBRA DE SUA RAZÃO

Hoje a única coisa que me fará sobreviver à imensidão de meus pensamentos será escrever. Ao encarar essa folha em branco me deparo com minha vida: vazia, sem sentido, incompleta. Sim, sou uma mera dramática, realista e nunca otimista. Não consigo. Meus dedos travam, minha mão paralisa e a única coisa que consigo pensar e escrever é: Como? Como? Como?

A dúvida sempre me corrói e me faz a la Alice, como considerada eu sou. Mas ultimamente vivo não sei como nem porque, apenas existo, sem uma razão e sem um motivo ou coisa qualquer, tento fazer de minha existência algo concreto e válido, porém como irei fazer isso se nem ao menos consigo entender quem eu sou? O que eu quero? Se minhas escolhas estão certas? Como eu deveria agir? Como deveria ser? Me perdi e coloco a culpa em você. Por que?

Vingança sempre foi meu objetivo, minha razão. Só que agora... não sei mais se isso valerá a pena, não sei mais se é isso que está me mantendo ou me matando. Não sei. Os sentimentos que sempre predominaram eram vingança e inveja. Não quero mais isso, viver à sua sombra, viver por você, viver pelo sofrimento. Minha escolha agora será outra, não sei ainda qual, mas certamente não será à sua. Não quero isso pra minha vida. Quero sentir, quero viver e, principalmente, quero ser! Sem ter medo e sem olhar pela janela.